<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss'><id>tag:blogger.com,1999:blog-29859438</id><updated>2009-09-22T16:31:25.239-07:00</updated><title type='text'>clicheria</title><subtitle type='html'>escolha as palavras e monte seu clichê.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://theclicheria.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theclicheria.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25'/><author><name>Maria D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12656165881836776418</uri><email>noreply@blogger.com</email></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>57</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29859438.post-4916667665205906306</id><published>2009-07-16T19:51:00.000-07:00</published><updated>2009-07-16T19:56:38.657-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Quando a gente perde a familiriaridade com as palavras, quando a gente se acostuma a ficar brincando de fazer imagem o tempo todo, quando a gente fica só ouvindo o que os outros têm pra dizer da dor da gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, eles falam melhor, falam mais bonito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aí a gente senta pra ressuscitar aqueles joguinhos de palavra, aquele traquejozinho malacabado de quem achou um dia que escrevia bem e não sai nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu juro, juuuuro que tinha muito pra dizer. Ando sentindo umas dores novas, mais complexas, mais conectadas com miliuma histórias. Ando descobrindo uns recalques novos também, umas novas auto-sabotagens de primeira e ah, acreditem, me deparei com umas felicidadezinhas bacanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas de que adianta, né? Não tenho nome ainda pra elas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29859438-4916667665205906306?l=theclicheria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://theclicheria.blogspot.com/feeds/4916667665205906306/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=29859438&amp;postID=4916667665205906306' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/4916667665205906306'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/4916667665205906306'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theclicheria.blogspot.com/2009/07/quando-gente-perde-familiriaridade-com.html' title=''/><author><name>Maria D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12656165881836776418</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='16597243103511556581'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29859438.post-4365963208010551182</id><published>2008-09-21T07:32:00.000-07:00</published><updated>2008-09-21T08:01:54.123-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;Too young to hold on, too old to just break free and run.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Se tivesse vinis, se ouvisse a música, se houvesse apenas, não somente, mas apenas, um blues não tão blue.&lt;br /&gt;Se tivesse vivido no tempo dos tempos, se houvessem contratempos, ah! se houvesse harmonia..&lt;br /&gt;Se cedo tive ésses pro plural, se cedo tivésses me dito que, o que digo, não o que faço ou que falo, mas aquilo que escapa em deslizes verbais, ah! se tivésses me ouvido, veria, que tudo que vivi escapou pelos versos.&lt;br /&gt;E se tivéssemos versos! você sabe, se tivéssemos visto por entre os vestidos os encontros no esbarrar dos tecidos, dos botões, do suplício do aviso.  Se houvesse símbolo, afinal.&lt;br /&gt;Signos, ao final,&lt;br /&gt;ou epifania, ao sinal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se desse pra ouvir a música do LP fundido na agulha, dos tempos em que não havia mais LP, num marasmo banal de romantismo, se tivesse dado pra ouvir tudo aquilo que se diz ouvir apenas nos LPS,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;talvez até desse mesmo, não sei, nunca ouvi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperava pacientemente o partir. O momento que me diria que iria me deixar, ali, procurando o artesanato dos discos. Já são onze, enfim. Ainda não foi agora, embora eu precise de-ses-pe-ra-da-mente que me deixes, aqui, me encontrando com a mentira dos livros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29859438-4365963208010551182?l=theclicheria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://theclicheria.blogspot.com/feeds/4365963208010551182/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=29859438&amp;postID=4365963208010551182' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/4365963208010551182'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/4365963208010551182'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theclicheria.blogspot.com/2008/09/too-young-to-hold-on-too-old-to-just.html' title=''/><author><name>Maria D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12656165881836776418</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='16597243103511556581'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29859438.post-2528240876519221852</id><published>2008-06-04T09:54:00.000-07:00</published><updated>2008-06-04T10:12:28.960-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Gosto tanto. Uma pena ter dado errado. Me diz que não consegue ser de outro modo que não este, ou aquele, há uns meses atrás. Quiçá mudará nos entornos e declives e topará com outro modo, que não esse nem este - alguma catástrofe entre brindes em taças de cristal se sucederá. Me diz que precisa gostar menos das pessoas pra saber usar da retórica, algo como um duelo de gigantes numa cama de casal - confronto, afronte - desconfortável - eu disse - não é pra ser assim.&lt;br /&gt;Me dá um beijo tímido no elevador, depois de um esboço de sorriso meu, porque eu ria e ria sempre, sem motivo, só relembrando os causos. Sorria também pra aliviar a clautrofobia do cubículo que eleva-nos sem janelas; senão a uma espiritualidade em potencial, ao menos no próximo andar, desço! Sorria pra mover os músculos e lembrar-me da existência de todos eles, cada qual com seu papel. Sorria de e por tudo, menos daquelas mini explosões coloridas que se tem vez em quando por dentro, assim, como se tudo fosse uma grande bolha prestes a explodir, sem muita dimensão.&lt;br /&gt;Te digo que não consigo ser de outro modo. Sou sim, areal, branco, limpo, liso; - muito pouco daquele bar, colado à minha casa onde você, no calor da euforia, mentiu pra embelezar e se perdeu na beleza das palavras - eu endureci, não vê? Sabe aquela mania que eu tinha de ficar te encarando na pupila até você acabar de dizer tudo? Não vê que agora eu fujo de soslaio procurando perder meu olhar num ponto fixo qualquer só pra ter pra onde olhar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é tu, não. Fui eu. Que não consigo ser mais de outro modo que não este.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29859438-2528240876519221852?l=theclicheria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://theclicheria.blogspot.com/feeds/2528240876519221852/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=29859438&amp;postID=2528240876519221852' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/2528240876519221852'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/2528240876519221852'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theclicheria.blogspot.com/2008/06/gosto-tanto.html' title=''/><author><name>Maria D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12656165881836776418</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='16597243103511556581'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29859438.post-1630846707001099575</id><published>2008-05-14T09:26:00.000-07:00</published><updated>2008-05-14T09:33:53.807-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Vinte minutos para sair. As palavras estão se embolando, dançando, dançando, acho que vão se encaixar de par em par e montar uma coreografia, sinto que vão. Sento na frente no computador e vou digitando, digitando, tentando achar, tentando. Cadê? onde foram parar? Sempre me deixam na mão. Vão! Contem-me alguma história interessante! Construam-se, apareçam diante de mim, suas covardes! Organizem-se, fluam, por que não fluem?&lt;br /&gt;Dezessete minutos para sair. Sair, fluir, esvair.. associações pobres.. não estão se ajuntando com os pares certos, sinto que não. Ecos, vão! ecos. Penso em tartarugas. Movimento das tartarugas, acho bonito, sei lá. Não consigo continuar a falar sobre elas, talvez seja pouco. Talvez precisasse que elas dessem as mãos rumo ao universal, tartarugas são pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo mais tarde.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29859438-1630846707001099575?l=theclicheria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://theclicheria.blogspot.com/feeds/1630846707001099575/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=29859438&amp;postID=1630846707001099575' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/1630846707001099575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/1630846707001099575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theclicheria.blogspot.com/2008/05/vinte-minutos-para-sair.html' title=''/><author><name>Maria D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12656165881836776418</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='16597243103511556581'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29859438.post-2520777109083343668</id><published>2008-05-12T20:53:00.000-07:00</published><updated>2008-05-12T21:11:27.659-07:00</updated><title type='text'>Carta aos parentes na pré-fuga.</title><content type='html'>Fujo, apaziguada pelo refúgio.  Peço calma aos carmins trépidos dos desvios coloridos com placas opostas, que vivem invadindo minha paz. Não fujo porque quero, afinal. Fujo porque não me deixam fugir em paz, quieta, na morbidez do meu tempo, cada vez mais desalinhado com as conjuncturas astrais do capital.&lt;br /&gt;(saibam, quem não sabe ser sincero mente na confissão em primeira pessoa.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou fugir: O tempo urge, as pernas tem cãimbra, os paralelepípedos clamam por mim - do lado de lá - lá, na esquina do desvio dos carmins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem muito quer fugir tem na boca trêmula as palavras incertas, deslizando entre os dedos nas teclas do teclado, tentando buscar a sintaxe em algum complexo paranóico construtivista mayakovskiano. A semântica, pois bem: fiquei orfã desde que acordei e o mundo careceu de sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Empacoto as roupas de frio e calor e de meia-estação que pouco servem; desengaveto a coragem que tanto me faltou ao fim da etapa do empacotamento nas fugas anteriores. Agora estou segura: nada me prende mais: nem pai, nem mãe, nem choro, nem ressalva, nem resguardo, nem comida de vó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peça por peça; me apresso; esqueço; tudo bem não faz falta; alta dose de descrença; desavença entre as vozes tilintando, perguntando em voz serena como é que eu faço pra chegar nos carmins.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29859438-2520777109083343668?l=theclicheria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://theclicheria.blogspot.com/feeds/2520777109083343668/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=29859438&amp;postID=2520777109083343668' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/2520777109083343668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/2520777109083343668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theclicheria.blogspot.com/2008/05/carta-aos-parentes-na-pr-fuga.html' title='Carta aos parentes na pré-fuga.'/><author><name>Maria D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12656165881836776418</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='16597243103511556581'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29859438.post-1711176687880770562</id><published>2008-04-07T09:53:00.000-07:00</published><updated>2008-04-07T10:01:41.596-07:00</updated><title type='text'>Reich</title><content type='html'>Densidade febril. O suor encrustado na superfície áspera epitelial. A farda era o fardo: abotoava botão a botão sem sequer mover o olhar; mirava-o na parede branca, o queixo ereto, a postura firme, embora denunciasse ossos fora do eixo.&lt;br /&gt;Os sapatos de gala eram botinas pretas com a ponta dura de aço; a gravata era a corrente que carregava no pescoço com algum santo provincial. Passa pelos quartos, pelo corredor sombreado e mofado, olha de soslaio o espelho grande de moldura acetinada. Já vai? Já. Vou.&lt;br /&gt;Os resqúicios acendiam luzes. Tiros e carros e balés de corpos amontoados; carcaças e couraças rondadas por moscas; insanidade insalubre. Os contos de guerra contados pelo rodeio de vitória, com voz de derrota.&lt;br /&gt;São Paulo, 2007. Os tanques transmutaram-se em ar condicionado, as celas em pequenas janelas múltiplas copiando-se, colando-se, copiosas nas verticais habitacionais. Empresariais. Os tiros de escapamento de motocicleta afogam as britadeiras. Implosões e construções. Andarilho de concreto. Estratégias pra atravessar a rua.&lt;br /&gt;Sinalizadores de neon: Bingos. Máquinas e máquinas com alavancas que se empurra pra baixo. Limão, limão, cereja. Moedas, mais moedas. Limão, slogan, limão. Tilintar no bolso. Cereja, cereja, cereja. Multilhão de batuques de aço. O barulho de moedas calou, acessou os papéis, os cartões, os de crédito, assinou, fez contas com os lábios quietos, assinou.&lt;br /&gt;Volta para o apartamento pelos cantos. As luzes acendem-se conforme percebem sua presença, apagam na ausência. Detectores de movimento. A hipoteca comeu os móveis, as jóias, o dinheiro no pé de meia dentro da gaveta. Chegou? Está com fome? Já. Estou. Te vi. Na tv. Um batalhão de soldados enfileirados. Estava de capacete, né? Eu vi. É. Onde é que é que vocês lutam? Luta, é luta. É gente contra gente. Sacolas e sacolas de roupas, louças, pratarias, mais jóias. Comprei. Vai vir uma medalha de honra, né? Quem vai pra guerra ganha indenização? Não sei. Acho que é. Ainda bem que você tá vivo.&lt;br /&gt;A fluorescência da lâmpada comprida de cozinha espalha o ar. A cozinha é fria porque os azulejos gelam - como pisar no chão descalço. Desabotoa, alinha a roupa, põe a pasta na escova com cerdas violadas e estrias no cabo. O barulho é abafado, a boca está fechada. A luz da sala é luz azul que tremilica - luz de tv. O colchão do quarto tem molas e vísceras expostas de pelúcia, por entre os losangos de costura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senta, procura por Deus na mobília. Deita-se e dorme.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29859438-1711176687880770562?l=theclicheria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://theclicheria.blogspot.com/feeds/1711176687880770562/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=29859438&amp;postID=1711176687880770562' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/1711176687880770562'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/1711176687880770562'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theclicheria.blogspot.com/2008/04/reich.html' title='Reich'/><author><name>Maria D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12656165881836776418</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='16597243103511556581'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29859438.post-6801376149227967022</id><published>2008-04-03T17:50:00.000-07:00</published><updated>2008-04-03T17:52:48.724-07:00</updated><title type='text'>Alice-rce</title><content type='html'>champagne azul, decorada. degolada, saltavam as veias azuis. o jazz no ouvido, tímpanos surdos da multidão. caiu, não deu um ai, um piu. miou pra dentro, na certa, no desconcerto do improviso da harmonia. as narinas brancas de pó, o pulmão preto de fumaça. esgarçava os batuques como nenhuma outra. talvez fosse só, só como todos sóis. talvez fosse sol. Maior.&lt;br /&gt;quadrinhos eróticos, trincheiras, abotoaduras e sapatos de salto. cinzas pelo carpete, alquimia de quintal. lampejos, lampejos e mais lampejos.  os olhões azuis, como as veias, me fitavam e me apertavam os trilhos. trens descarrilhados, sempre. ela deslizava na ponta de pé - um tanto ingênua. doce, sempre, doce. até quando esperneava nos contos de fada, catalisando a realidade na mais pura alfinetada.&lt;br /&gt;assassinou os grilhões, andava cabisbaixa. os cílios de cima encostavam os cílios de baixo e ela pedia pra ir. os sinos tocando, as paredes gritando, as mesas redondas que ela tinha pela casa, pequenas, como nos cafés parisienses ou pés de meia de criança. a distância entre cafés e cirandas no fundo é bem pouca.&lt;br /&gt;Pouca roupa, muito espaço. desenlace da casa, da rua, dos sonhos, do corpo. tudo é sempre muito-pouco: Muito e Pouco. A adrenalina estava fluindo, os desejos quase cabiam da porta pra dentro. mas eu aprendi o caminho da minha casa pra tua e aprendi, quase sem querer, a abrir a porta da rua.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29859438-6801376149227967022?l=theclicheria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://theclicheria.blogspot.com/feeds/6801376149227967022/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=29859438&amp;postID=6801376149227967022' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/6801376149227967022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/6801376149227967022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theclicheria.blogspot.com/2008/04/alice-rce.html' title='Alice-rce'/><author><name>Maria D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12656165881836776418</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='16597243103511556581'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29859438.post-8820272794321607836</id><published>2008-03-18T20:07:00.000-07:00</published><updated>2008-03-18T20:09:09.758-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Já era dia A simbiose quase vertia O sim da boca cheia De graça de cuspe selando a tarde vazia.&lt;br /&gt;Que será que tu tem Tu que tem Tu que tinha Tu que tinha tudo e não sabia.&lt;br /&gt;Rodopia sem gracejo Ponta de pé que vem Do relâmpago pro dedo: Tu danças como ninguém.&lt;br /&gt;Agora me fita tá tudo bem Tudo cheira a alecrim Crina de vento Etér Eu Tu em mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29859438-8820272794321607836?l=theclicheria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://theclicheria.blogspot.com/feeds/8820272794321607836/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=29859438&amp;postID=8820272794321607836' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/8820272794321607836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/8820272794321607836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theclicheria.blogspot.com/2008/03/j-era-dia-simbiose-quase-vertia-o-sim.html' title=''/><author><name>Maria D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12656165881836776418</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='16597243103511556581'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29859438.post-7911121560847137905</id><published>2008-03-16T10:37:00.000-07:00</published><updated>2008-03-16T13:12:26.298-07:00</updated><title type='text'>Os nós do mundo.</title><content type='html'>Cubra minha cabeça com o cobertor igual. Finjamos que os metros quadrados de colchão são nosso barco, na truculência das ondas sem mar.&lt;br /&gt;Me chame de menina, ataque covardemente meu lirismo. Me peça coragem enquanto inflama o peito de fluoxetina.&lt;br /&gt;Fale de guerras, exércitos, bravura - capa dura do livro de história - que carrega no corpo pesado. Suba na balança e anuncie: Perdi dois quilos. Dois quilos de alma, de pesar. Quase desconfiarei que irá querer dizer que está apaixonado.&lt;br /&gt;Embale a turbulência de lençóis com música doce enquanto a voz preta de café procurará meus poros, inchados, fracos de tanto expelir.&lt;br /&gt;Me chame de menina, devore meu lirismo com asco enquanto corto fatias do braço, expondo pus e revelando as goteiras do teto.&lt;br /&gt;Arquitetarei uma fuga do barco. Colocarei os sapatos, irei desfazer o drama. Me chame de volta pra cama, me peça coragem enquanto armo meu peito de fraqueza.&lt;br /&gt;Fraca que estarei, dias vivendo de puro arroz. Singela brancura do vazio que não nota. A-nota.&lt;br /&gt;Sou sã. Sã do viés do tempo, do vil que ninguém viu, da anestesia local, do grito que se fantasia de lamento. Cale minha voz branda pedindo pra repetir o que disse. Não posso mais. O quê? Não posso, não poderei mais.&lt;br /&gt;Quando será que irá se cavar esse poço entre seu terreno e meu travesseiro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escreve o que eu digo pra não esquecer: Ainda vai se afogar quando sair da cama.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29859438-7911121560847137905?l=theclicheria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://theclicheria.blogspot.com/feeds/7911121560847137905/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=29859438&amp;postID=7911121560847137905' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/7911121560847137905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/7911121560847137905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theclicheria.blogspot.com/2008/03/os-ns-do-mundo.html' title='Os nós do mundo.'/><author><name>Maria D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12656165881836776418</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='16597243103511556581'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29859438.post-3858477332915561879</id><published>2008-03-05T06:09:00.000-08:00</published><updated>2008-03-05T06:54:17.428-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Sentaram ao piano. Não vi quem foi, quem ousou. Do ângulo que via, só enxergava uns pézinhos balançando, que nem alcançavam os pedais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira nota surgiu: um ré. Tímido, gemido.&lt;br /&gt;Gritaram dos fundos: "Toca que nem gente!"&lt;br /&gt;Quem tocava quase acreditou ser possível tocar que nem qualquer outra coisa que não gente.&lt;br /&gt;A segunda nota ecoou forte: um fá.&lt;br /&gt;Quando pôs o fá-forte com o ré-arredio causou furor. Não em qualquer um que estivesse presente no empompado convescote, sim no diacho daqueles órgãos musicais que a gente tem - órgãos-platéias - que ou vibram, ou se contorcem, ou repelem.&lt;br /&gt;A terceira nota era a que faltava: um lá.&lt;br /&gt;Um lá tocado distraídamente, sem sentir o dente pesado do piano que obrigaria o sentimento a se camuflar de razão pra ser certeiro - no dente certo - e doído - no dente errado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouviram todos os ministros, condes, viscondes e viscondessas pela primeira vez um Ré Menor tocado por um menino de 5 anos. O que sabem meninos dessa pequenez sobre rés menores?&lt;br /&gt;Via-se nos rostos maquilados de porcelana, acetinados de saúde e enrijecidos contra emoções, a dor estampada. Entreolhavam-se todos, constrangidos por não conseguirem conter os órgãos-platéias dentro de si e as lágrimas que acumulavam na bochecha. Não choraram, não brigaram contra as pálpebras, mantiveram a fina compostura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino, diante do escândalo, parou. Nunca mais conseguiu tocar. Um ré menor era por demais ameaçador para tanta convenção. E ele não sentira nada, coisa de criança. Tecla é tecla, som é som. Até ficava maravilhado com esse som que vinha de dentro da caixa preta cheia de cordas longas, longas, como fios do destino. Pra quem não entende o maquinário, o mundo faz sentido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29859438-3858477332915561879?l=theclicheria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://theclicheria.blogspot.com/feeds/3858477332915561879/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=29859438&amp;postID=3858477332915561879' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/3858477332915561879'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/3858477332915561879'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theclicheria.blogspot.com/2008/03/sentaram-ao-piano.html' title=''/><author><name>Maria D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12656165881836776418</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='16597243103511556581'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29859438.post-1659001222155763958</id><published>2008-03-02T04:58:00.000-08:00</published><updated>2008-03-02T05:04:59.387-08:00</updated><title type='text'>Histórias de amor através da imagem hiperbolizada - cap.2</title><content type='html'>Leituras que descabelam os fios da razão.&lt;br /&gt;Conversas solitárias que afastam os grilhões desse sentir que me disseram outro dia se tratar de 'nossa sensibilidade de quinta categoria'.&lt;br /&gt;Adoraria fazer um épico. Mas agora estou aqui, na expressão máxima de tudo aquilo que me foi dado de herança pelos lemas mudos burgueses: trancada no cômodo da insegurança.&lt;br /&gt;Tem gente que fala mais bonito dessa sensação. Talvez Drummond entenda melhor quando fala das coisas tangíveis que se tornam insensíveis à palma da mão.&lt;br /&gt;E você, que agora está longe, costuma citar Brecht pra falar da imagem que me desestrutura. Aquele trecho lá, que fala da finitude e da mudança. Não ouso citar pois você o faz bem melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é esta: nos perdemos numa briga árdua pra não aceitar, pra recusar coações, pra questionar, pra falar com voz suave sobre a bárbarie, pra desvendar as lacunas da palavra e as promessas das coisas que viraram gente e da gente que virou coisa. Briga dura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, quando te digo que essa angústia me move e que me dá o ímpeto do primeiro pé pra fora da cama no morno surrealismo de nossos inconscientes, eu minto. Minto pra tornar mais fácil esse desespero todo. E se me permitir, finja que não confesso que eu finjo cá que não admiti. (já que agora tudo o que mais queria era ter por perto a tua voz que me contraria, pra poder continuar afirmando até perder a linha da discussão)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria ser artista e não ligar. Não sou. Sou gente comum que sofre de saudade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29859438-1659001222155763958?l=theclicheria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://theclicheria.blogspot.com/feeds/1659001222155763958/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=29859438&amp;postID=1659001222155763958' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/1659001222155763958'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/1659001222155763958'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theclicheria.blogspot.com/2008/03/historias-de-amor-atravs-da-imagem.html' title='Histórias de amor através da imagem hiperbolizada - cap.2'/><author><name>Maria D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12656165881836776418</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='16597243103511556581'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29859438.post-3382019883540508452</id><published>2008-02-29T09:35:00.000-08:00</published><updated>2008-02-29T09:43:12.420-08:00</updated><title type='text'>Histórias de amor através da imagem hiperbolizada - cap.1</title><content type='html'>Vejo tua imagem no canto direito do meu campo de visão. Uma imagem muito mais indicial que icônica. Sei que és quem penso que és. Aguardo ansiosamente pelo deslize fulminante de um escape entre os recados que você apaga sempre que leu. Caço as respostas, que muitas vezes já foram apagadas também.Entro então no jogo de caçar as evidências no milésimo de segundo entre o enviar e o apagar. Teu e dela, teu e meu, mais meu que teu. Tua imagem fica lá, estática. Queria mais dinânica, mais ousadia, mais observações mas ela é tal qual se apresenta: fria, estagnada, projetada e ao mesmo tempo palpável. Não sei se de fato você está lá. Se ainda está, se já foi ou se por um erro do sistema, você sequer esteve. Mas me contento em ver pelo canto direito de um campo de visão quase cego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você for embora, eu nem vou perceber, prometo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29859438-3382019883540508452?l=theclicheria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://theclicheria.blogspot.com/feeds/3382019883540508452/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=29859438&amp;postID=3382019883540508452' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/3382019883540508452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/3382019883540508452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theclicheria.blogspot.com/2008/02/histrias-de-amor-atravs-da-imagem.html' title='Histórias de amor através da imagem hiperbolizada - cap.1'/><author><name>Maria D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12656165881836776418</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='16597243103511556581'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29859438.post-6324638042580153644</id><published>2008-02-01T18:56:00.000-08:00</published><updated>2008-02-01T19:40:43.529-08:00</updated><title type='text'>O Segredo da cidade</title><content type='html'>Perdoem os erros de português ou as palavras engasgadas. É que preciso urgentemente contar de um caso que vi quando saí pela primeira vez na rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a primeira vez que saio pra rua. Primeira não, talvez segunda ou talvez eu já nem lembre mais quantas e por isso pareça tanto que nunca vi essas coisas assim do jeito que tão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pras bandas daqui que eu também já não sei se é tão diferente das bandas de lá ou de qualquer outra banda, as cores do céu são chapadas. quando tá vermelho é vermelho e quanto é azul é azul e ponto. e daí que eu percebo que ser e estar tão sempre bem próximos mas são cada um uma coisa.&lt;br /&gt;O ser é aquele homem de meia-idade, seguro de si, recém-divorciado, com duas filhas com as quais não se dá muito bem. Aquele tipo que a gente cruza na rua e não dá muita bola, não cativa, não treme as pernas - nem de medo nem de desejo. O estar.. o estar é aquele sujeito que tem alguma coisa que não se sabe bem o que, algum gesto ou olhadela de liberdade. Alguma feição de quem não compreende as coisas de gente normal: beber ao redor duma mesa ou ter estações do ano. O estar é meio ingênuo pra entrar na roda gigante. Às vezes entra, porque eu mesma já vi muitos desses em rodas gigantes.. mas está sem entender, meio deslumbrado.&lt;br /&gt;É isso. Hoje, estou meio verbo estar.  saio pra rua como se fosse a primeira vez. A surpresa é grande quando se decide trocar de transitividade. Acordo subitamente com umas vontades dessas, tipo ser outro verbo. E nessas trocas, se perde alguma gota de malícia ou acrescenta-se uma pitada de sarcasmo, um quê de insuficiência ou uma sensação de barriga cheia. Coisa louca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas na rua, quando já se é verbo estar, agem de uma maneira engraçada: andam rápido, olhando pro chão, cruzam olhares rapidamente e às vezes sorriem ou fazem cara feia - bem às vezes. andam quarteirões poucos e se perdem em algum emaranhado de casas em cima de casas. Não sei se tenho vontade de falar das pessoas mais, acho que me detive a outra coisa nessa primeira andada na rua sendo "estar": os pensamentos altos que escapam das cabeças.&lt;br /&gt;Coisas como indagações sobre contas, tamanhos dos prédios, remédios em liquidação, novos cortes de cabelo, almoços menos calóricos, meninas que largaram meninos e vice-versa, músicas da moda de cabo a rabo. Todos convivendo em pé de guerra no ar insalubre da metrópole congestionada. (tem muito barulho, não é sempre que dá pra ouvir os pensamentos altos..)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi nessa primeira andança, no dia que descobri que pessoas pensam alto quando o som baixa, foi nesse dia que tudo se sucedeu. Vou contar-lhes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me deparei com uma menina um tantinho mais baixa que os manequins comuns, ruiva, de sardinhas. Tinha uma franjinha que caía sobre os olhos, quase encobrindo uns olhos pequenos bem pequeninos e sem expressão. Nada do rosto da menina eu conseguia delimitar e diferenciar muito bem. o rosto, ah, o rosto era... redondo, meio ovalado, não sei bem.  o nariz meio pontiagudo e fininho mas nada muito especifico. Boca e lábios de tamanho normal, rosas, como as de todo mundo. A verdade era uma: não tinha nada de especial. Parecia-se muito com todos os catálogos de rostos que já cruzei na vida, tinha formatos de jogos de forma, de massinha talvez. O fato é que parei na frente dela e quase imóvel, juro, quase imóvel fiquei. Me dei conta de que não conseguia ouvir seus pensamentos no meio dos outros. Eu tentava, tentava, fechava os ouvidos sabe, me concentrando pra achar algum pensamento que pudesse ser o dela, mas ela era tão comum, tão igual, tão não-especial, que nenhum discurso cabia naquele rosto trivial. Não pensava em cabelos, em roupas, em meninos ou meninas, em brigas familiares, dinheiro, planos pro dia, nem pensava sobre os quadrados multicolor que pisava, tentando fazer algum jogo qualquer de não pisar. Ela não tinha pensamentos.&lt;br /&gt;Esse afinal é o caso que queria contar-lhes: o da menina cujo rosto não consigo lembrar-me, de tão igual. Dos pensamentos tão inexistentes que tive de inventar. Da garota que não era verbo, nem adjetivo, muito menos substantivo. Da garota tão igual no meio de tantos diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Virou meu segredo favorito. Daqueles que a gente guarda bem guardado porque os outros não iam acreditar mesmo. Pena que não consigo lembrar com imagens, já que era tudo muito parecido com o que a gente sempre vê.. Então tratei de decorar essa história em palavras pra ver se não esqueço. Fui o caminho todo de volta pra casa repetindo pra mim mesma as mesmas palavras e afinal, acho que é sorte que as pessoas não consigam ouvir pensamentos no meio de tanto barulho: a gente pensa demais as mesmas coisas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29859438-6324638042580153644?l=theclicheria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://theclicheria.blogspot.com/feeds/6324638042580153644/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=29859438&amp;postID=6324638042580153644' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/6324638042580153644'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/6324638042580153644'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theclicheria.blogspot.com/2008/02/o-segredo-da-cidade.html' title='O Segredo da cidade'/><author><name>Maria D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12656165881836776418</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='16597243103511556581'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29859438.post-2121465949306007058</id><published>2008-01-22T19:57:00.000-08:00</published><updated>2008-01-22T20:08:06.195-08:00</updated><title type='text'>Fragmentos? [em 3ª pessoa]</title><content type='html'>Súbito, o acaso.  "Casa comigo?" - ele quis dizer quando olhava pra ela meio de lado, deitados no chão.  "Vou sentir saudade" - foi o que de fato disse.  Afoitos, acasaram-se na certeza do sólido: algo como o mítico diálogo por olhares que ambos criam ser algo único que os outros não entendiam. "Passa a cerveja" - em meio a risos e desconexões. Quando a comunicação se estendia a mais do que somente dois, inventavam onomatopéias ou saíam gritando pela sala, pra fazer graça, tirar o foco.  Eram apenas corpos que se contorciam de riso com a cabeça inclinada na almofada de polígonos pretos e brancos. "Simpatia pra conseguir homem, sabe como é que é?" Cócegas dos dedos leves dela na barriga morna dele. "Pega um bife e enfia, sabe, enfia. Depois frita e dá pra ele comer." Enquadravam-se em colorido. "Uma amiga me disse que contaram pra ela." "Não vou te deixar ir" -  ela tentou - "esta noite". Engoliu o "pra sempre" e riu enquanto ele zombava da moral cristã. Sacrilégios na cama de lençol por baixo do cobertor, que ela achou bonitinho e ele explicou que a textura, "sabe, a textura fica melhor". A textura das palavras quentes rebatiam as costas na parede fria. Espirram, espirram-se pra fora da cama pra ele poder trabalhar. Isso depois de folhear o calhamaço do processo do cliente dele. "Ela não sabe usar o português, coloca vírgula entre predicado e sujeito". Sujeita-se à vírgula dele. Procura travessões, aspas, só acha neologismo, erro gramatical. Não sabe conjugar alguns verbos ou às vezes esquece, propositadamente, pra parecer mais distraída do que de fato é, dá um charme, uma fluidez. Fluem escapismos.  Procura no canal algum desenho enquanto ouve o barulho do chuveiro. Chove solidão. Molha as lembranças. Alaga de saudade o pequeno cômodo cheio de cartões na parede. "Fica" - ela balbucia sem som. "Não me deixa ir, então" - ela ensaia. "Te levo lá embaixo" - ele diz. Entrelaçam as cinturas no elevador. Reflexo que não fitam. Fixam na retina, colam as testas, apertam as mãos. "Vou tentar escapar na sexta pra te ver. vai a pé? não, pega o metrô. não posso te levar, cê sabe. tá com fome? cê nunca tem fome. eu te ligo. vou tentar voltar. pego o trem. sabe como é, minha mãe quer se despedir. não tenho mais motivos pra ficar aqui. não que você não seja. entende, né?". Sorri frágil e guarda o adeus no esôfago. "Tô com gastrite. Deve ser o cigarro. linda!" Ela sorri amargo e guarda o adeus nas mãos aflitas. "Vou, então." "Se cuida." "Se cuida você também." "Bom trabalho." "Bons estudos." "Tô atrasada nos livros.." "Vida bôemia." "hahaha" "hahaha" "O mundo não entende, né?" "Entende o que?" "Que a gente devia funcionar de noite e dormir de dia". "Dorme bem." "Bom dia." "Casa comigo" - ele quase disse. "Té mais." - calou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29859438-2121465949306007058?l=theclicheria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://theclicheria.blogspot.com/feeds/2121465949306007058/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=29859438&amp;postID=2121465949306007058' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/2121465949306007058'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/2121465949306007058'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theclicheria.blogspot.com/2008/01/fragmentos-em-3-pessoa.html' title='Fragmentos? [em 3ª pessoa]'/><author><name>Maria D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12656165881836776418</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='16597243103511556581'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29859438.post-4224969483456148539</id><published>2008-01-12T19:02:00.000-08:00</published><updated>2008-01-12T19:20:49.446-08:00</updated><title type='text'>Semitons</title><content type='html'>Olhei pra varanda. Entrava por entre o vidro riscado uma luz. Branca, branquinha. Iluminava as cadeiras despenteadas, as roupas jogadas de alguma noite anterior. Noite dessas, escura, em que se pede amor em sussurros aos amigos que esquecem a tua face em detrimento de uma mão dentro de suas roupas.&lt;br /&gt;Luz branca que entrava! Na certa, a lua. Redonda, gigante, esburacada. Não a via, mas embora só visse a luz branquinha, podia descrevê-la com exatidão: Redonda, gigante, esburacada. Ao redor umas estrelinhas meio ofuscadas pela imensidão; lua presa no céu, quase como foto no mural, lembrança na memória, dor pregada no estômago. Invadia os côncavos dos objetos espalhados pelo chão, cada um com sua história e carinho. Porque homem é bicho estranho que precisa das coisas pra lembrar dos fatos, precisa esfacelar o porta-retrato pra esquecer da imagem da foto que foi quase marcada com fogo no tecido fino no cérebro.&lt;br /&gt;Fiquei parada ali, hipnotizada pela luz refratada pelo vidro.. Quase formava um arco-íris, dependendo do lado que olhava ou como mexia a cabeça. O resto eram degradês de branco ao cinza e as gotinhas brilhantes grudadas. Iam secar dia menos dia. Mas sempre chove de novo em São Paulo - morre gota, nasce gota - quase desesperadamente.&lt;br /&gt;A luz foi murchando, de repente. Eu, meio acordada meio sonhando, acordei de súbito e andei em passos rápidos quase que tentando alcançar a luz que ia embora. Estiquei os dedos até o último fiapo, me joguei no chão, contraí a sobrancelha numa careta de quem se esforça, alonguei, quase gemi baixinho, mas se foi. A luz, branquinha, branquinha.. iluminou a noite anterior e trouxe à consciência as dores que penei pra esquecer com doses múltiplas de algum drink barato, cujo odor ainda pulsava nos ladrilhos do chão. Luz da lua que, embora fingisse, sabia bem: era só a luz da janela da frente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29859438-4224969483456148539?l=theclicheria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://theclicheria.blogspot.com/feeds/4224969483456148539/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=29859438&amp;postID=4224969483456148539' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/4224969483456148539'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/4224969483456148539'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theclicheria.blogspot.com/2008/01/semitons.html' title='Semitons'/><author><name>Maria D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12656165881836776418</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='16597243103511556581'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29859438.post-968047068385483848</id><published>2008-01-07T11:20:00.000-08:00</published><updated>2008-01-07T12:04:02.882-08:00</updated><title type='text'>O Sexo dos Anjos</title><content type='html'>Ele chega em casa com o olhar angulado que tanto lhe é reconhecível. As mãos fecham a maçaneta, um pouco seguras, um tanto trêmulas. Ele vai andando observando tudo ao redor, como se achasse estranho aquele sofá de capa desarrumada, os copos jogados que formavam bolinhas de água embaixo, no vidro.  Toda aquela parafernalha sórdida, suja, barata demais, colorida demais que afixiava as paredes descascadas e todos os vapores ali contidos.&lt;br /&gt;Ela chega, afoita, abraça-o, beija-o desesperada. Coloca as mãos sobre o rosto dele e pega suas mãos que estão sujas de sangue. Sangue vermelho, textura quase de mentira mas o cheiro é de vivo, cheiro de entranha, de morte. Num gesto abrupto larga-o.&lt;br /&gt;Ele tem mãos grandes, com dedos longos e as unhas quase da cor da pele, um pouco mais roseadas. As unhas são cortadas quase na carne e algumas, poucas, tem aquele preto por debaixo delas. Agora estavam todas iguais, uniformes, um balaio de pequenos formatos salientes no vermelho que escorria, um leve fluxo de igual, de mesmo, de totalidade. Pega aquelas mãos pesadas e coloca por entre os cabelos dela, delicadamente - um gesto quase tão delicado que não se poderia sentir o peso antagônico dos dedos e da culpa que agora carregavam - e os dois também se misturam no fluxo do vermelho-igual. Cabelos, unhas, mãos, todos vermelhos.&lt;br /&gt;Ela se esquiva, grita um monte de palavras que ele parece não compreender pois vira a cabeça de lado devagar, fecha os olhos, abre, olha pra ela tão violentamente que ela se desconcerta. É toda vez assim, afinal. Ele se reaproxima, pega-a pela cintura e mancha o branco do vestido rodado. Ela faz que não, faz força até com os punhos e as mãos fechadas. Contrai o corpo contra o dele, querendo se soltar, ameaça-o, cospe-o na cara, morde, estapeia-o na face. Mas ele vai levantando o vestido rodado, vai apertando os joelhos dela como se fosse quebrá-los. Ela se rende, se ajoelha, se soltam.&lt;br /&gt;Ele olha-a de cima com aquele olhar que beira o perigo. Um olhar que a ameaça, como se num piscar de olhos ele fosse agredí-la, voltar à insanidade, à bestialidade. Mas não pisca. Ela simula um medo quase inconscientemente; sabe que está a salvo do pesar dele, sabe que essa violência é pro mundo, é pra quem não tem cama e café pronto de manhã, beijo na testa e juras de amor.&lt;br /&gt;Abraça-o pelos joelhos, beija-os encostando levemente os lábios sobre a pele fina. Olha pra cima. Ele bate na cara, empurra-a pro chão, rasga as vestes, enfia os dedos onde couberem  enquanto ela geme e grita sorrindo. Aperta as frágeis costelas, os ossos finos dela, quase tira o ar dos pulmões - com medo, sopra um pouco de ar na boca vermelha dela e ela, em agradecimento, beija o nariz com ternura. Sufocados, agonizantes, felizes. Gozam por horas na carnalidade proibida de seus sexos. Não dá mais pra distinguir o bege da pele e o vermelho-igual que veio das ruas; são um amontoado vermelho de coisa viva com coisa morta, cheiro do que bate e do que foi impedido de bater.&lt;br /&gt;Irão dormir abraçados por horas no chão da casa barata e alucinante. Afinal, não dá pra resistir ao cheiro de morte que ele sempre traz quando entra em casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29859438-968047068385483848?l=theclicheria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://theclicheria.blogspot.com/feeds/968047068385483848/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=29859438&amp;postID=968047068385483848' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/968047068385483848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/968047068385483848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theclicheria.blogspot.com/2008/01/o-sexo-dos-anjos.html' title='O Sexo dos Anjos'/><author><name>Maria D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12656165881836776418</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='16597243103511556581'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29859438.post-5926629129505671655</id><published>2007-12-09T15:57:00.000-08:00</published><updated>2007-12-09T16:33:45.294-08:00</updated><title type='text'>Meu (quase) primeiro beijo</title><content type='html'>Fui acordada no meio da noite por uma menina magricela que nunca gostou de mim. Ela era de um grupo de meninas meio aloiradas que dançava axé. Eu nunca me interessei por axé. Então ficava com o grupo das meninas menos aloiradas e de óculos, que na realidade, só falavam mal das outras porque queriam dançar axé.&lt;br /&gt;Era umas 3 da manhã e eu estava no acampamento. Uma das coisas que se fazia nesse acampamento era cuidar da bandeira, que ficava no centro do sítio, num mastro. Então fazíamos turnos de duas em duas horas de madrugada pra ficar acordado em sentinela. Nesse dia, tinha de ficar de sentinela com o Fábio.&lt;br /&gt;O Fábio era um menino magrinho e mais alto que as crianças normais. Não jogava bola, adorava video-game e uma música do Maurício Manieri que eu já não lembro mais. Tinha opiniões fortes e normalmente saía na mão com os outros meninos e apanhava. No começo todo mundo achava que ele era gay, mas eu tinha certeza que era só delicado. Era completamente apaixonada por ele desde os 10 anos e meio, ou seja, desde o acampamento retrasado. Seu melhor amigo era o Leo, por quem minha melhor amiga era apaixonada. Saímos algumas vezes para ir ao cinema, os quatro, e todas as vezes ficamos com os pézinhos balançando na cadeira esperando o momento do tal primeiro beijo, que nunca chegou. Ficamos desoladas uma porção de vezes e colocamos sutiãs com bojo uma outras, associados a umas tic tacs coloridas nos cabelos e um gloss de glitter.&lt;br /&gt;Naquela noite de julho, eu devia estar com um charme muito especial no meu auge dos 11 anos: cabelos enrolados, encapotada com casacos e cachecóis, cara de sono e gosto de quem acabou de acordar. Foi quando ele chegou e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Até que vale a pena ficar acordado se é pra te ver tão bonita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei vermelha (da mesma maneira que fico até hoje) e dei uma risadinha tímida. Fomos andando então até a bandeira. Eu, olhando para o chão com as mãos no bolso e ele, expansivo, chutando pedrinhas, falando alto e tentando um contato físico. Conversávamos sobre algo que o lapso de tempo não me permite acessar... Não imagino sobre o que podíamos conversar nos meus 11 e nos 13 anos de idade dele.&lt;br /&gt;Chegamos lá e ficamos em silêncio. Eis que chegam o Leo e minha melhor amiga, saindo de um canto qualquer.  Os meninos trocam sorrisos suspeitos, se cumprimentam. Fábio diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos dar uma volta, eles cuidam da bandeira pra gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tinha medo de escuro, mas ele tinha uma lanterna e o lugar era razoavelmente claro. Subimos  umas mini-colinas, eu quase caí, ele me segurou, chegamos a um campo aberto, atrás de um galpão, onde os meninos costumavam jogar bola. Sentamos. Sem a menor pressa, ele pega na minha mão e dá um sorriso, que obviamente me constrangeu e me obrigou a olhar pro lado. Ele põe a mão no meu rosto e vai chegando perto, quando eu o interrompo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porque eles estavam acordados?&lt;br /&gt;- Eles quem? - ele retruca quase suspirando de impaciência.&lt;br /&gt;- Eles.. o Leo e a Jé.&lt;br /&gt;- Eles deviam estar ficando, né, sei lá. O que importa é que eles estão cuidando da bandeira pra gente, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cuidando da bandeira pra gente! Era isso! Naquele momento tudo ficou claro na minha mente! Os dois tinham arquitetado tudo para que ele pudesse me beijar. Fiquei chocada! Como ele pudera! Me usou, como um objeto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos descer, temos que cuidar da bandeira - disse segura e levantando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andei uns passos à frente. Tivemos de fitar o silêncio que se instalou por aquela uma hora e meia seguinte. Nunca mais nos falamos nos acampamentos, embora os dois sofressem terrivelmente em silêncio e talvez escrevessemos milhões de vezes em papéis os nomes um do outro por extenso, ao som de "I don´t care who you are... Where you´re from... Don´t care what you did.. as loong aas you looove me".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrei com o Fábio um dia desses que me perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E aí? Fazendo o que da vida?&lt;br /&gt;- Nada - eu disse&lt;br /&gt;- Nada de nada?&lt;br /&gt;- Na verdade, tudo.&lt;br /&gt;- Tudo e nada?&lt;br /&gt;- Tudo e nada, ao mesmo tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29859438-5926629129505671655?l=theclicheria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://theclicheria.blogspot.com/feeds/5926629129505671655/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=29859438&amp;postID=5926629129505671655' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/5926629129505671655'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/5926629129505671655'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theclicheria.blogspot.com/2007/12/meu-quase-primeiro-beijo.html' title='Meu (quase) primeiro beijo'/><author><name>Maria D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12656165881836776418</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='16597243103511556581'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29859438.post-7755354786677557230</id><published>2007-12-01T05:40:00.000-08:00</published><updated>2007-12-01T06:04:52.752-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Acordei descansada depois de um longo período , que já nem sei bem onde começou, de noites mal dormidas.&lt;br /&gt;E me deu vontade de ler Ana Cristina César pra ver se meus atos repetidos fazem algum sentido na ciranda do mundo sem-sentido - ela sabe significar o insignificável em meio ao caos como ninguém.&lt;br /&gt;Ás vezes me esqueço que sou só um sintoma, um sintoma histórico. Meu mundo sem sentido é o mesmo que de todos os outros personagens. Minha dor é organizada, meu prazer é medido. Eu sou (e você também) clichê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E isso me acalma M-U-I-T-O.&lt;br /&gt;Porque a gente gasta muita energia pra fingir que nada ocorre. Muito mais do que se a gente simplesmente se jogasse, se jogasse mesmo, sem dó, nessa afirmação do não-sentido. (que não é a negação do sentido, pois ele não existe.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;___________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andávamos discutindo algumas questões sobre o invislumbrável e acho que no final das contas, só nos resta essa busca mesmo. (Tem certas buscas que valem a pena mesmo sabendo que não há nada pra encontrar.. O trajeto é o que mantém o céu no lugar, as batidas de coração em harmonia e os saltos suicidas em seu curso normal. O mundo só funciona assim e.. ainda bem)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;____________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei lá porque ainda mantenho esse blog.&lt;br /&gt;Acho que gosto.&lt;br /&gt;é isso.&lt;br /&gt;Acho que gosto..!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29859438-7755354786677557230?l=theclicheria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://theclicheria.blogspot.com/feeds/7755354786677557230/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=29859438&amp;postID=7755354786677557230' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/7755354786677557230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/7755354786677557230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theclicheria.blogspot.com/2007/12/acordei-descansada-depois-de-um-longo.html' title=''/><author><name>Maria D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12656165881836776418</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='16597243103511556581'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29859438.post-4884674282549649252</id><published>2007-11-27T07:29:00.000-08:00</published><updated>2007-11-27T07:44:32.736-08:00</updated><title type='text'>"Palavras que me aceitam como sou — eu não aceito."</title><content type='html'>Brigo muito com as palavras. Não devo, temo, não pago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe alguma brecha, entre um suspiro e outro, entre um abaixar as pálpebras e levantar, - ainda sem distinguir cores - no limiar do eu e do mundo, existe aí, em algum canto, um acesso ao mundo real. A gente não aprende a procurar, não aprende a supor que sequer deva procurar. Não aprende a aprender, não aprende.... E por isso a gente rodeia, quando rodeia e não acha, quando não acha, porque eu acho é que a gente acha, todo dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em alguns milímetros de solidão solidificada dá pra encontrar milhões de digitais desse mundo que nunca se viu e dá até pra sentir saudade do que nunca se sentiu. É como se ali, onde tudo é menor e maior ao mesmo tempo - mas não é dissonante - ali onde não há outro alguém a não ser você e já não dá mais pra brincar de viver e de ser, o único gancho, o único chão que te resta é esse sopro do mundo. É isso, é um sopro. Um sopro frio quando o dia tá quente, aquele sopro que quase chega a amenizar o calor porque é frio, mas esfria um micro-centígrado a mais e dá frio no meio do calor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E essa sensação que se sente nessas horas é tão instável, tão inapreensível pelas palavras que quando ela é pega no ar, já vira outra coisa, e quando se percebe que ela virou outra coisa, ela já desvirou pra outra e assim vai. Parece até que vira do avesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E desvira.. e vira...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E cai na via láctea passeando por aí, até encontrar aquela brecha, entre um suspiro e outro, entre um abaixar as pálpebras e levantar, - ainda sem distinguir cores - no limiar do eu e do mundo quando eu já esqueci que era eu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29859438-4884674282549649252?l=theclicheria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://theclicheria.blogspot.com/feeds/4884674282549649252/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=29859438&amp;postID=4884674282549649252' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/4884674282549649252'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/4884674282549649252'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theclicheria.blogspot.com/2007/11/palavras-que-me-aceitam-como-sou-eu-no.html' title='&quot;Palavras que me aceitam como sou — eu não aceito.&quot;'/><author><name>Maria D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12656165881836776418</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='16597243103511556581'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29859438.post-3863897738939626973</id><published>2007-11-21T12:08:00.000-08:00</published><updated>2007-11-21T12:15:21.662-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Quem é vegetariano sabe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volta e meia aparece neguinho dizendo:&lt;br /&gt;Tentei ser vegetariano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Admiro muito vocês, vegetarianos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou ainda, muito comum:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocês que salvem os animais.!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, comecei a refletir sobre a questão e cheguei à conclusão de que só dá pra ser vegetariano se você tiver, imanente, a "vibe experimentalista". Aquele ímpeto de abrir a geladeira e misturar tudo o que você quiser, baseado em cores, texturas, formatos ou achismos e suposições. Não dá pra ser vegetariano se essa vibe não estiver em você desde sempre, porque ninguém aguentaria uma vida vegetariana sem a aventura do experimentalismo.... ia ser um marasmo verde e amorfo. Soja todo dia. Arroz e feijão todo dia. Com tofu. Blérgh. Não dá.&lt;br /&gt;Então fica a dica pra quem quer se tornar vegetariano: experimente.&lt;br /&gt;musica experimental, cinema experimental, namoros experimentais, religiões experimentais.. vá com calma, deixe a cozinha por último!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29859438-3863897738939626973?l=theclicheria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://theclicheria.blogspot.com/feeds/3863897738939626973/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=29859438&amp;postID=3863897738939626973' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/3863897738939626973'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/3863897738939626973'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theclicheria.blogspot.com/2007/11/quem-vegetariano-sabe-volta-e-meia.html' title=''/><author><name>Maria D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12656165881836776418</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='16597243103511556581'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29859438.post-1807618779908969999</id><published>2007-09-29T18:38:00.000-07:00</published><updated>2007-09-29T18:48:31.622-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Falar sobre pessoas..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me encarreguei de falar sobre as pessoas para mim mesma.&lt;br /&gt;Não exatamente sobre as pessoas, mas através delas, por cima, por baixo, pelas entranhas, pelos sorrisos, pelos cheiros. Pela pessoez de cada pessoa.&lt;br /&gt;Pra mim mesma. Não exatamente pra mim, mas por mim e de mim.&lt;br /&gt;Falar. Não precisamente falar.. Um misto de analisar "comtianamente" com sentir fenomenologicamente. Uma conversão de anti-romantismo com idealização realista - nesses termos mesmo, mas não tão claramente assim.&lt;br /&gt;Me encarreguei. E talvez tenha mesmo, mas prefiro acreditar que tenha um quê de obrigação, pra ver se forço meu ego-folgado a desenvolver algo além de projeções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falar sobre a linguagem...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29859438-1807618779908969999?l=theclicheria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://theclicheria.blogspot.com/feeds/1807618779908969999/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=29859438&amp;postID=1807618779908969999' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/1807618779908969999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/1807618779908969999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theclicheria.blogspot.com/2007/09/falar-sobre-pessoas.html' title=''/><author><name>Maria D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12656165881836776418</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='16597243103511556581'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29859438.post-6615296222400503430</id><published>2007-07-30T17:18:00.000-07:00</published><updated>2007-07-30T17:22:32.327-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>hey&lt;br /&gt;been trying to meet you&lt;br /&gt;hey&lt;br /&gt;must be a devil between us&lt;br /&gt;or whores in my head&lt;br /&gt;whores at my door&lt;br /&gt;whores in my bed&lt;br /&gt;but hey&lt;br /&gt;where have you been?&lt;br /&gt;if you go i will surely die&lt;br /&gt;we're chained&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vai dizer, quem nunca colocou essa música no último volume e não deu uma pirada na sala?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29859438-6615296222400503430?l=theclicheria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://theclicheria.blogspot.com/feeds/6615296222400503430/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=29859438&amp;postID=6615296222400503430' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/6615296222400503430'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/6615296222400503430'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theclicheria.blogspot.com/2007/07/hey-been-trying-to-meet-you-hey-must-be.html' title=''/><author><name>Maria D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12656165881836776418</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='16597243103511556581'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29859438.post-5373317144183335477</id><published>2007-07-30T07:56:00.000-07:00</published><updated>2007-07-30T08:05:18.524-07:00</updated><title type='text'>Another day is here and I´m still alive. (insistindo no velho bordão! - bem-vindo ao mundo de bordões!)</title><content type='html'>Existem filmes que você paga pra esquecer. Duas horas de esquecimento, estudantes pagam meia, afinal, tem menos acúmulo de memória. Aposentados também, já esqueceram boa parte do que precisa ser esquecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui pruma dessas sessões de esquecimento, saí mais leve. O HD tava menos cheio, dei uma andada, enchi um pouco com propagandas de mulheres gostosas e cabelos sedosos.&lt;br /&gt;Cheguei em casa e tive uma espécie de curto-circuito - não sou gostosa nem tenho cabelos sedosos à beça. Putz. Saí, comprei um shampoo que estava em promoção - dois pelo preço de um, minutos de promessas em potinhos verdes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabelos lavados, sedosos... Mas eu ainda não estava gostosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui pra academia e voilá! promoção de inverno. (ninguém malha no inverno) Aulas de movimentos que eu faria normalmente na vida - simulação de escadas, simulação de carregar coisas pesadas, simulação de balada. Inverno dá preguiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas já estava com o HD cheio de sonhos supérfluos.. Fui pro cinema.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29859438-5373317144183335477?l=theclicheria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://theclicheria.blogspot.com/feeds/5373317144183335477/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=29859438&amp;postID=5373317144183335477' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/5373317144183335477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/5373317144183335477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theclicheria.blogspot.com/2007/07/another-day-is-here-and-im-still-alive.html' title='Another day is here and I´m still alive. (insistindo no velho bordão! - bem-vindo ao mundo de bordões!)'/><author><name>Maria D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12656165881836776418</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='16597243103511556581'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29859438.post-8557746673824260144</id><published>2007-07-25T16:25:00.001-07:00</published><updated>2007-07-25T16:25:54.569-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[The cold comfort of the in between.]&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29859438-8557746673824260144?l=theclicheria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://theclicheria.blogspot.com/feeds/8557746673824260144/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=29859438&amp;postID=8557746673824260144' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/8557746673824260144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/8557746673824260144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theclicheria.blogspot.com/2007/07/cold-comfort-of-in-between.html' title=''/><author><name>Maria D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12656165881836776418</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='16597243103511556581'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29859438.post-3245101632181095524</id><published>2007-07-23T07:46:00.000-07:00</published><updated>2007-07-23T07:53:19.663-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>A volatilidade do ímpeto de escrever me assusta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peguei a mania de escrever em folhas sulfites os meus pesadelos.&lt;br /&gt;Não sei o que me aterroriza mais: as imagens ou as palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após uma meticulosa análise freudiana, cheguei à conclusão de que os ícones e símbolos dos meus sonhos tem um referencial maluco que não estão relacionados com o tal do complexo de édipo. acho que são sonhos de quem faz cinema. (se eu tivesse muita verba pra produção disponível, é claro - explosões, monstros, perseguições de carro custam caro.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;então o clichê do dia é esse:&lt;br /&gt;o da garota que tem pesadelos, acha que foi porque comeu demais antes de dormir (ah! pra esse blog retroalimentado de clichês, nada como um ditado popular pra ficar mais encorpado!), sonha com monstros e acha que é a única que sonha com eles, acorda no meio de um grito e escreve nas folhinhas sulfite com lapiseira 0.7. (ou 0.5, que é ainda mais comum.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cd clichê do dia: 'the final cut' do pink floyd - sonhos, viagens, ácido, sacoé.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29859438-3245101632181095524?l=theclicheria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://theclicheria.blogspot.com/feeds/3245101632181095524/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=29859438&amp;postID=3245101632181095524' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/3245101632181095524'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29859438/posts/default/3245101632181095524'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theclicheria.blogspot.com/2007/07/volatilidade-do-mpeto-de-escrever-me.html' title=''/><author><name>Maria D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12656165881836776418</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='16597243103511556581'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry></feed>