Chamam nosso amor de
egoísta.
E, de fato, não te amo.
Amo a sensação que me traz.
O turbilhão de dor e prazer inerentes.
Amo como me mata aos poucos, me destrói, arruina meus planos de tentar te controlar, de otimizar nossa produção.
Eis um amor artesanal, nada industrializado. Fabricado sob medida para duas pessoas complexas e incompletas.
Te ouço querendo me ouvir, me enxergo em você, em cada vão do seu ser, do nosso ser, do não-ser que somos.
Otimizamos a dor, tornando-a cada vez mais insuportável para que quando chegar o momento da volta, do reencontro, o prazer seja igualmente insuportável.
Chamam nosso amor de
impossível.
Impossibilito nossas possibilidades.
As opções de caminhos que levem a um lugar-comum.
E quem disse que eu buscava um lugar comum?
Em teus braços encontro um lugar só meu, onde o desespero se esvai por alguns segundos oníricos entre a realidade e a ilusão.
Estamos no meio do caminho entre o que dói e o que finge doer.
Dialogamos em palavras, gestos e toques que mundo nenhum entenderia.
Por isso chamam nosso amor de
incompreensível.
Escolhemos não compreender para perder-se em lacunas de perguntas não respondidas.
Entre os rios de águas desconhecidas que nos afogam lentamente.
E assim chamam nosso amor de
infinito.
Supomos um fim constante, para terminar num começo sem fim.
Chamem nosso amor do que quiserem.
Que eu mostro o que é o amor.