Sunday, July 16, 2006

corte seco no flashback in black and white.

fade in, in colors, nas cenas a seguir.
alcancei o limite da metalinguagem: só falo de mim mesma.
spotlight na bússola quebrada.

Wednesday, July 12, 2006

Insomniaque

Madrugadas insones.
Com o tempo se aprende a transformar letras em garranchos para ver se assim é possível transcrever com a rapidez do pensamento.
O frio da cozinha, a sombra, a meia-luz, o cigarro aceso e o tilintar do relógio: o ambiente mais que ideal para narrar um fato.
Fato esse que nem ocorreu, nem ocorrerá.
A poesia é uma prosa desconexa, não há necessidade de personagens, nem tempo, muito menos espaço.
Mais um trago e o cigarro já queima por completo.
O tempo, nesse instante, é relativo: basta uns rabiscos, um piscar de olhos para que a noite termine.

E a insônia,
permanece.


10/01/06

Monday, July 10, 2006

Chamam nosso amor de egoísta.
E, de fato, não te amo.
Amo a sensação que me traz.
O turbilhão de dor e prazer inerentes.
Amo como me mata aos poucos, me destrói, arruina meus planos de tentar te controlar, de otimizar nossa produção.
Eis um amor artesanal, nada industrializado. Fabricado sob medida para duas pessoas complexas e incompletas.
Te ouço querendo me ouvir, me enxergo em você, em cada vão do seu ser, do nosso ser, do não-ser que somos.
Otimizamos a dor, tornando-a cada vez mais insuportável para que quando chegar o momento da volta, do reencontro, o prazer seja igualmente insuportável.

Chamam nosso amor de impossível.
Impossibilito nossas possibilidades.
As opções de caminhos que levem a um lugar-comum.
E quem disse que eu buscava um lugar comum?
Em teus braços encontro um lugar só meu, onde o desespero se esvai por alguns segundos oníricos entre a realidade e a ilusão.
Estamos no meio do caminho entre o que dói e o que finge doer.
Dialogamos em palavras, gestos e toques que mundo nenhum entenderia.

Por isso chamam nosso amor de incompreensível.
Escolhemos não compreender para perder-se em lacunas de perguntas não respondidas.
Entre os rios de águas desconhecidas que nos afogam lentamente.

E assim chamam nosso amor de infinito.
Supomos um fim constante, para terminar num começo sem fim.

Chamem nosso amor do que quiserem.
Que eu mostro o que é o amor.

Thursday, July 06, 2006

Cena 7:
Manhã
Interna

Se aproxima da flor, toca as pétalas, suspira.

corte

Passa pela sala e uma carta passa por debaixo da porta. Vai até lá, abaixa e pega. Lê o remetente: " Clarice Lispector", sorri. Rasga o envelope rapidamente, pega a carta. Lê, afoita.

Voz em off:
"O que me tranquiliza é que tudo o que existe,
existe com uma precisão absoluta.
O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete
não transborda nem uma fração de milímetro
além do tamanho de uma cabeça de alfinete."

Sorri.

corte